Imagine viver na escuridão, não conseguir ver a luz do sol, a beleza dos
rostos do ser humano. Assim vive o aluno
Miguel do 6º ano da Escola João Pelegrino no município de São Miguel do Oeste –
SC, onde desde os anos iniciais começou a ser alfabetizado em Braille, porém
tudo se limitava aos livros que eram adquiridos com o Sistema Braille, ficando
as informações que a professora passava apenas oralmente, então sabendo da
existência da impressora em Braille, fez-se
uma solicitação junto ao governo estadual para aquisição da mesma, para ser
utilizada como ferramenta de inclusão educacional e social.
As impressoras em Braille são ferramentas muito importantes nas escolas,
pois facilitam a criação de material didático para alunos cegos. Porém no
Brasil, cuja educação ainda passa por dificuldades de ordem financeira, é uma
ferramenta pouco acessível aos professores e profissionais e instituições educacionais.
Seu custo ainda é alto perante um mundo cada vez mais sedento pela inclusão de
crianças e jovens cegos. As escolas precisam contar com ajuda governamental
para adquirir este bem. A esperança esta em iniciativas, como a de Schubham
Banerjee, que criou um protótipo de impressora mais acessível.
A
impressora em Braille foi por muito tempo usado apenas em grandes gráfico
devido ao seu elevado custo, como já dito anteriormente, porém com a iniciativa
deste adolescente de 13 anos que utilizou blocos de Lego, mostrando que é
possível baratear seu produto. Quando apresentou o protótipo da impressora e
conseguiu o financiamento da Intel, tornou seu sonho possível de ser adquirido
por mais escolas e entidades. “Não posso recuperar a visão de milhões de cegos.
Mas posso ajudar na alfabetização”, conclui Schubham Banerjee, fundador da
Braigo Labs.
Aqui
em São Miguel, com o financiamento do governo chegou depois de alguns meses a
tão esperada impressora, o que chamou a atenção de toda a unidade escolar e até
da comunidade, que agora pode contar com este grande apoio. Em contato com as
professoras Eliane e Silvana, que trabalham com Miguel, percebemos
que a aquisição da impressora trouxe um grande ganho de qualidade na educação
dele, pois esta maneira ele pode ter um ensino mais próximo dos demais.
Mas
afinal, o que é o Sistema em Braille, e qual a sua importância? Criado em 1819
por Carlos Barbier de La Sene, um agente do exército, este sistema tinha como ideia
inicial facilitar a comunicação entre os demais agentes em ambientes noturnos,
porém em 1825 este sistema chegou ao conhecimento de Luís Braille, um jovem
cego desde a infância, que se encontrava na Real Instituição de Paris, e utilizou
o Braille, assim chamado mais tarde em homenagem a ele próprio, acabou
tornando-se uma importante ferramenta de comunicação para os cegos e deficientes
visuais. O batizado sistema Braile teve de 1825 há 1837 vários
aperfeiçoamentos, desde Carlos até Luís. Talvez o mais importante deles deu-se
em 1830, quando Luís Braille deixou os pontos mais próximos e simétricos,
facilitando assim a litura pelos deficientes visuais, e foi neste mesmo ano que
o sistema começou a ser usado nas instituições educacionais da França.
É por
esta razão que iniciativas como as de Luís Braille, Schubham Banerjee e da
escola João Pelegrino são tão importantes para a inclusão de crianças,
adolescentes e adultos na educação, pois o Sistema em Braille facilita a
interação e a comunicação, bem como o papel dos professores e dos pais na
educação dos mesmos, seja com livros prontos ou com a aquisição de impressoras
de Braille os deficientes visuais tem o direito de acesso e igualdade ao
conhecimento como os demais dando a eles a oportunidade de ver o mundo com a ponta dos dedos.

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