quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A visão na ponta dos dedos


Imagine viver na escuridão, não conseguir ver a luz do sol, a beleza dos rostos do ser humano.  Assim vive o aluno Miguel do 6º ano da Escola João Pelegrino no município de São Miguel do Oeste – SC, onde desde os anos iniciais começou a ser alfabetizado em Braille, porém tudo se limitava aos livros que eram adquiridos com o Sistema Braille, ficando as informações que a professora passava apenas oralmente, então sabendo da existência da impressora em Braille, fez-se uma solicitação junto ao governo estadual para aquisição da mesma, para ser utilizada como ferramenta de inclusão educacional e social.

As impressoras em Braille são ferramentas muito importantes nas escolas, pois facilitam a criação de material didático para alunos cegos. Porém no Brasil, cuja educação ainda passa por dificuldades de ordem financeira, é uma ferramenta pouco acessível aos professores e profissionais e instituições educacionais. Seu custo ainda é alto perante um mundo cada vez mais sedento pela inclusão de crianças e jovens cegos. As escolas precisam contar com ajuda governamental para adquirir este bem. A esperança esta em iniciativas, como a de Schubham Banerjee, que criou um protótipo de impressora mais acessível.

A impressora em Braille foi por muito tempo usado apenas em grandes gráfico devido ao seu elevado custo, como já dito anteriormente, porém com a iniciativa deste adolescente de 13 anos que utilizou blocos de Lego, mostrando que é possível baratear seu produto. Quando apresentou o protótipo da impressora e conseguiu o financiamento da Intel, tornou seu sonho possível de ser adquirido por mais escolas e entidades. “Não posso recuperar a visão de milhões de cegos. Mas posso ajudar na alfabetização”, conclui Schubham Banerjee, fundador da Braigo Labs.

Aqui em São Miguel, com o financiamento do governo chegou depois de alguns meses a tão esperada impressora, o que chamou a atenção de toda a unidade escolar e até da comunidade, que agora pode contar com este grande apoio. Em contato com as professoras Eliane e Silvana, que trabalham com Miguel, percebemos que a aquisição da impressora trouxe um grande ganho de qualidade na educação dele, pois esta maneira ele pode ter um ensino mais próximo dos demais.

Mas afinal, o que é o Sistema em Braille, e qual a sua importância? Criado em 1819 por Carlos Barbier de La Sene, um agente do exército, este sistema tinha como ideia inicial facilitar a comunicação entre os demais agentes em ambientes noturnos, porém em 1825 este sistema chegou ao conhecimento de Luís Braille, um jovem cego desde a infância, que se encontrava na Real Instituição de Paris, e utilizou o Braille, assim chamado mais tarde em homenagem a ele próprio, acabou tornando-se uma importante ferramenta de comunicação para os cegos e deficientes visuais. O batizado sistema Braile teve de 1825 há 1837 vários aperfeiçoamentos, desde Carlos até Luís. Talvez o mais importante deles deu-se em 1830, quando Luís Braille deixou os pontos mais próximos e simétricos, facilitando assim a litura pelos deficientes visuais, e foi neste mesmo ano que o sistema começou a ser usado nas instituições educacionais da França.

É por esta razão que iniciativas como as de Luís Braille, Schubham Banerjee e da escola João Pelegrino são tão importantes para a inclusão de crianças, adolescentes e adultos na educação, pois o Sistema em Braille facilita a interação e a comunicação, bem como o papel dos professores e dos pais na educação dos mesmos, seja com livros prontos ou com a aquisição de impressoras de Braille os deficientes visuais tem o direito de acesso e igualdade ao conhecimento como os demais dando a eles a oportunidade  de ver o mundo com a ponta dos dedos.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Aos 13 anos, menino belga cria impressora de textos em braile a partir de protótipo feito de Lego

Há pouco mais de um ano, o garoto belga de origem indiana Shubhan Banerjee, de 13 anos, não sabia o que era a linguagem braile, usada pelos deficientes visuais para leitura. Atualmente, Banerjee é sócio de uma empresa que vai produzir impressoras em braile de textos que poderão ser enviados de um computador ou dispositivo móvel.
O menino tornou-se o empreendedor mais jovem do mundo a receber capital de fundos de investimento. O mais impressionante da história de Banerjee é que ele construiu o protótipo de sua invenção utilizando peças de Lego, um dos brinquedos de montar mais conhecidos do mundo. Ele esteve na 8ª edição da Campus Party, feira de tecnologia e cultura digital, que acontece esta semana em São Paulo, para contar a sua experiência.

A ideia da impressora nasceu de um pergunta que fiz a meus pais: como os cegos leem? — afirmou o menino.
Ele contou que um dia, ao chegar em casa, deparou-se com a propaganda de uma instituição pedindo doações a cegos. Sua dúvida foi como as pessoas que não enxergam poderiam ler aquele folheto. Perguntou ao pai engenheiro, Neil Banerjee, e à mãe professora, Malini Banerjee, como os deficientes visuais liam. Ocupados, os dois recomendaram que o garoto procurasse a resposta no Google.
— Foi aí que tomei conhecimento da linguagem braile e que as impressoras desse tipo custam em média US$ 2.000, um valor pouco acessível a pessoas em países pobres — afirmou Banerjee.

Da feira de ciência da escola, a impressora em braile tornou-se um fenômeno de popularidade. Banerjee foi convidado para feiras de inventores, e chegou a participar de uma delas na Casa Branca. Confiante na ideia do filho, o pai de Banerjee investiu do próprio bolso US$ 35 mil para que ele desenvolvesse um novo protótipo do invento. Como o sucesso da impressora só aumentava, Banerjee teve a ideia de fundar uma empresa, a Braigo Labs (braile + Lego), que tem como CEO sua mãe e como diretor principal o pai.
— Não posso assinar documentos, por isso minha mãe foi nomeada presidente — disse o garoto.
Foi nessa etapa do projeto, que a Braigo Labs recebeu uma injeção de recursos da Intel Capital, e Banerjee tornou-se o mais jovem empreendedor do mundo a receber o chamado capital de risco. A Intel não revela quanto investiu, mas segundo a empresa, foi a primeira vez que houve injeção de capital numa start up que acabara de sair do papel. Normalmente, a empresa investe em start ups em estágio mais avançado.
Até o fim deste ano, entre 20 e 25 das impressoras em braile da Braigo serão produzidas. Serão leves, baratas (com custo abaixo de US$ 500) e se tudo correr como o previsto poderão ser carregadas na mochila. Onde estiver, o deficiente visual poderá imprimir em braile um email, uma mensagem do facebook e, no futuro, até um livro. Transcrever um documento em braile tem um custo que varia de US$ 500 a US$ 600, mas a Braigo já desenvolveu um método de transcrição sem usar software. Ele será oferecido com a impressora— Também já pensamos em desenvolver, por exemplo, modelos com comando de voz — contou o pai do inventor e diretor principal da Braigo Labs, Neil Banerjee.
Atualmente, a empresa fundada pelo garoto de 13 anos, amante de futebol americano, já tem dez funcionários, que se debruçam a aperfeiçoar o protótipo. Banerjee também conta com um consultor especial, Henry, seu amigo que é cego desde o nascimento e conta sobre as dificuldades de encontrar material impresso em braile. Ontem, antes de participar da Campus Party, Banerjee visitou em São Paulo a Fundação Dorina Nowwil, uma instituição que ganhou destaque por se dedicar a ajudar pessoas com deficiência visual. A Dorina Nowill será uma das 20 instituições pelo mundo que vão receber uma das impressoras que a Braigo Labs vai produzir.
— Acredito que minha ideia foi uma forma de ajudar a melhorar a sociedade — disse Banerjee.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/aos-13-anos-menino-belga-cria-impressora-de-textos-em-braile-partir-de-prototipo-feito-de-lego-15244705#ixzz4qREOtg1r 
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A visão na ponta dos dedos

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